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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Eva

    Hey, galera. Fiquei um tempo sem postar nada aqui. Problemas pessoais, um pouco de frescura, algumas batalhas e muita superação depois estou de volta e pretendo postar com mais frequência agora. Hoje trouxe um texto que foquei na força interna das mulheres! Espero que gostem ;]

                                                          



                                           Eva       



  Havia uma garota gentil que morava numa cidade metropolitana com toques de campo. Ela era luminosa, mas seu coração passava por dificuldades.
  Tinha sonhos, desejos e vontades; inspirações, ideias e planos; mas a força ultimamente estava fraca.
  
  Era uma daquelas tardes de sol com poucas nuvens, onde a luminosidade oscila devagar como uma criança que estuda a luz do dia regulando-a com a mão suspensa sobre os olhos. Ela tinha a cabeça baixa apoiada no braço, apoiado no joelho curvo, sentada no canto mais bagunçado do seu quarto. Os pensamentos todos, questionadores, depressivos e motivadores, repassados várias vezes, mas o sol ainda se encobria de nuvens passageiras.
  Será mesmo que a vida era pouca assim? Será mesmo que as pessoas não a compreendiam? Tudo que acontecia em sua vida agora era normal? Inspirou e expirou profundamente.
  O sol deu uma espiadela pela borda da nuvem em que se abrigava, uma mão firme segurou o rosto da menina e o levantou.

 - Qualé em?!

  O ato pouco delicado veio de uma mulher. Estava ajoelhada na frente da garota, com suas pernas fortes e shorts confortáveis, junto a uma camiseta regata larga semicoberta por uma cachoeira de cabelos castanhos longos e volumosos. A mão que puxou seu rosto vestia uma luva de couro preta que não cobria os dedos, a outra mão tinha um anel prata pesado no dedo indicador.

- Que aconteceu agora? Família, estudos, relacionamento...? Que é que está fazendo você não enxergar suas forças dessa vez?
- Que? Mas quem é você? – disse a garota, ainda sem entender direito o que estava acontecendo.
- Vai, senta aqui. – disse a mulher, sentando na beira da cama.
- Mas, ué? Como assim, você...
- SENTA AQUI! – Bradou firme.

  A garota sentou ao lado dela, não sabia quem era aquela doida, mas pelo coração achou que podia confiar.

- Tá bom... - continuou a mulher – Vou ser direta, não tenho muito tempo pra mimimi.
  Eu vivo num lugar muito curioso, varia muito. As vezes quente, as vezes frio; as vezes aumenta, as vezes diminui; as vezes enche ou esvazia, e por aí vai. Dali, porém, tenho uma bela vista sempre. Vejo, durante meus dias, paisagens maravilhosas, abismos profundos, vida alegre, tempestades de fogo e gelo, vejo atos de coragem, mas as vezes covardia também, vejo brigas, amor, sorrisos, choros, conquistas, perdas, mas sempre há algo pra se ver depois, sempre!
  Pela sua cara acho que você não está entendendo bem, mas essa gama de coisas são você! Moro aí dentro! - disse, apontando para o peito da garota.

  A menina ficou quieta. Difícil achar o que dizer numa situação dessas, então se contentou em ouvir.

 - Olha, já vi você sofrer mil vezes e ser forte depois. Acho que você carrega sabedoria de vida suficiente pra superar o que passa agora. Vamos lá, mulher!
  Deixe as pessoas chorarem pelos seus próprios sofrimentos, para que cresçam. Não corra para pedir abrigo em fortalezas que são mais frágeis que a sua própria. Saiba se enxergar. Digo, pelos SEUS olhos. Não gaste-se se alimentando de emoções desnecessárias, não se cobre tanto. Você é mais forte que tudo isso, levante e lute! Se ame!
  É uma garota talentosa, pare de agir com menos do que você anseia.

  A garota ainda quieta observou ela se levantar, tinha vergonha, mas podia entender claramente o que ela dizia, afinal era tudo verdade.

- Mas agora preciso ir. Sei que é cedo mas tenho meus afazeres. Sabe onde me encontrar, se precisar, fique à vontade. – E disse isso dando uma piscadela.
 - Ok... ?
- Até a próxima, então. Tchau! – E dizendo isso saiu pela porta do quarto.
  
  A garota, ainda meio perdida, se sentiu aliviada. O peito cheio de energia e uma ligeira culpa que já ia passar, ela se levantou firme e foi seguir seu coração.
  Obviamente o sol já não se escondia mais.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Chama interior

Hey! Hoje venho trazer um conto simples pra vocês, uma pequena comemoração do dia do escritor. Deliciem-se ;]

                                                     Chamas 
                                            


Havia um mundo não muito distante do nosso onde as pessoas alternavam para ter o prazer de colocar os pés no chão. Separadas por áreas e características, as vezes tinham os pés firmes no solo forte e vivo, porém todos davam essa chance a outros levitando até alguns centímetros do chão quando lhes  terminava a vez.
  
  Sábios seguidores da mãe Terra, seguiam esse costume por observá-la e ouvi-la, e assim perceber que era a maneira mais pacífica e sensata de se manter um equilíbrio saudável entre todas as coisas.
  
  Toda vez que seus pés tocavam o chão, tudo aquilo que construía sua essência passava a construir também o mundo ao seu redor. Grama verde, flores, árvores, animais e outros se formavam, de suas preferências, através de uma pura e prazerosa chama, que saindo pelos poros envolvia o corpo todo, variando a cor de indivíduo a indivíduo.
   
  Tranquila, mãe Terra ia mesclando as essências todas num conjunto complexo e único que costumava chamar de “diversidade”, assim conciliava a vontade de todos, para que pudessem ter seu espaço entre muitos outros espaços sem sair de sua harmonia.
  
  Um dia, porém, uma das pessoas elevou a própria chama acima do costume. Mãe Terra observou felicíssima o esforço do simples humano, sua contribuição era pura e muito visível através do expandir vivíssimo que seus pés produziam ao tocar o chão, num espetáculo de cores e sensações. Talvez por ser algo inédito, talvez por duvidar da reação, mas mãe Terra demorou a perceber que a reação de algumas pessoas não foi a mesma que a sua.
  
  Alguns indivíduos admiraram felizes, no entanto houve outros que tiveram uma reação muito diferente. Estes, estupefatos, se descontentaram com sua própria incapacidade de se elevar como tal e se rebelaram incomodamente. Seus poros, pelo desamor próprio, pararam de produzir suas próprias chamas de caráter único e aos poucos começaram a sugar as chamas daqueles que ainda as mantinham.
  
  Os que se flagelaram, começaram a produzir uma chama cinzenta e enferma, pois além de se nutrirem de algo diferente do próprio cerne, o faziam com conteúdo que não lhes era de direito. Cegos por orgulho, inveja e uma gama de outros desvalores egocentristas, Mal podiam ver a repercussão de suas chamas e o fato de que já não tiravam mais os pés do chão para dar lugar aos outros.
  
  Aos poucos aquele mundo colorido e vivo foi se tornando cinza e fraco. As plantas e animais foram sendo substituídas por formas grotescas, duras e ásperas, todas mecanizadas, agressivas e excepcionalmente sem cor. As pessoas que faziam brotar a própria chama foram ficando fracas e pouco a pouco começavam a sugar as chamas cinza, gerando chamas mais cinza. Aqui e ali, apenas, uma ou outra alma ainda se sustentava no próprio calor, a maioria fraca, bem raras as que seguiam fortes e firmes.
  
  Mãe Terra começou a adoecer e deprimir. Entrou então em contato com o universo, pedindo por ajuda. Este disse que enviaria a ela seres de chama boníssima e que logo chegariam de outros mundos em equilíbrio. Enquanto esperava, ela olhava para a própria superfície e lamentava as atitudes fracas e frias de seus filhos. Perguntou-se se os seres que chegariam seriam fortes para resgatar o equilíbrio saudável que uma vez houve ali.
  
  Como uma resposta para sua pergunta, viu se aproximando os tais que ajudariam os seres em desordem. Eram simplesmente fantásticos. Suas chamas eram de um tom azul índigo firme que brotavam de uma luz dourada e viva no centro de seus peitos. Seus olhares eram tranquilos e confiantes e esbanjavam carinho e união entre si, porém abertos para que outros também sentissem tal.
  
  Os filhos rebeldes da mãe Terra não tardaram a sugar as chamas desses seres, e rápido como absorveram, passaram a bloquear. As chamas azuis dos recém-chegados não agradaram os seres cinzentos, mas ao toque de seus pés no chão uma pequena explosão de diversidade e vida surgia firme.
  
  Aqueles que se mantinham firmes na própria chama sorriram ao ver que não estavam mais sozinhos, passaram a produzir chamas mais fortes e mais vivas e os seres cinzentos agora não conseguiam mais lhes alterar. O cinza foi dando lugar as cores todas e os seres que haviam sugado as chamas dos outros começaram a procurar mais uma vez a própria chama, num processo doloroso devido aos poros obstruídos pela chama cinzenta.
  
  Aos poucos, um a um eles iam encontrando suas chamas. Algumas pequenas e tímidas, outras fortes saiam quase que num rugido alegre. Aqueles que se demoraram com os pés no chão se elevaram e deram a chance a outros, que fizera igual ao seu turno, e a ordem foi se restabelecendo.
  
  O equilíbrio que se havia perdido, agora estava voltando. Diversidade e respeito já eram visíveis e os ambientes da mãe Terra já estavam se magnificando.
  
  Não só se restabeleceria toda a variabilidade de vida anterior, como também aumentariam todos os valores. Mãe Terra entrou em acordo com o universo, enviando seus seres cinzentos remanescentes para outros mundo onde aprenderiam a gerar suas chamas novamente.
  
  Mãe Terra seguiu então seus caminhos com seus habitantes em harmonia e paz, calmos e sábios novamente, aprendendo a dominar sua chama interior e relacioná-la com outras chamas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Os Elementais - Capítulo 5

Olá leitores! Devido à uma certa falta de tempo passei bastante tempo sem postar algo, mas hoje trago até vocês o último capítulo da série "Os Elementais". Humildades a parte devo dizer que eu mesmo achei este muito bom! Hahaha! Boa leitura! ^^



Equilíbrio


Era uma quase nublada noite de inverno que mostrava, entre as nuvens, uma belíssima lua cheia.
Ethan rumava decidido para um destino incerto. Guiado, como sempre, pelo medalhão, ele ia com uma sensação de segurança tremenda em seu caminhar. O medalhão agora apenas o supria por influenciar em seus pensamentos. Sem precisar materializar algo ou puxá-lo a força ele ajeitava a vida de Ethan apenas por fazê-lo, através de inspirações, se prevenir com uma simples mudança de atitude.
Hórus dormia tranqüilo em seu ombro, apesar do balanço constante.
Havia ali algumas semanas desde o encontro com o Elemental da Terra, mas Ethan parecia sentir o seguinte muito perto, mesmo que achasse improvável.
Ele havia conseguido um grupo bem grande de seguidores em sua breve jornada. Por onde passava deixava conselhos e exemplos e isso parecia ser suficiente para sensibilizar seriamente um grande número de pessoas. Sempre saia sem dizer nada, aparecendo e desaparecendo em vilas e cidades periodicamente, e ultimamente percebera certa expectativa dos outros por sua visita.
Na verdade ele era mais do que apenas um símbolo espiritual alienante. Depois de repassar seus ensinamentos Ethan viu o mundo começar a mudar num ritmo absurdo. Grandes mobilizações e revoluções que tiravam, cada vez mais, as más sementes plantadas nos grandes centros de poder e as substituíam por boas pessoa. Viu suas influências se espalharem num ritmo exponencial. Mas ainda sim algo o deixava inquieto.

Ouvira do Elemental da Terra que teria mais um encontro, desta vez com o mestre deles. Era normal que tal pensamento pairasse em sua mente deixando-o ansioso. Queria saber muitas coisas ainda e era esta sua chance de saciar sua curiosidade. Ele havia notado agora que caminhava numa belíssima rua de uma pequena cidade, mas algo estava errado...
O fato de ter notado onde se encontrava havia se dado apenas pelo fato de que sua visão começou a embaçar. Parou de caminhar e tentou inutilmente esfregar os olhos, mesmo assim sua visão deteriorou-se mais e mais até que ele não pudesse ver nada. Preocupado ele tentou piscar os olhos freneticamente e balançar a cabeça, mas agora alem de não ter sua visão, sua audição diminuía junto ao formigamento que aumentava por todo o seu corpo. Passados alguns segundos Ethan não sentia nada mais, nem seu próprio corpo...
Porém Ethan ainda “Sentia mesmo sem sentir”. Apesar da falha grave em seus sentidos sensoriais Ethan se sentia como uma livre consciência que se sustentava num fluxo infinito de energia vital, leve e eterno. Após um período de tempo, cujo ele não conseguia distinguir se haviam sido segundos ou milênios, Ethan ouviu uma voz:
- Venha Ethan! – A voz soava como duas em uníssono.
- E como eu vou?
- Queira vir, apenas isto basta.
- Mas o que? Quer...
Ele não teve tempo de terminar a fala. O fato de ouvir a instrução de “querer ir” fez a mente de Ethan assimilar tal e despertar automaticamente a vontade de ir até a voz. Apenas isto, e ele foi.
O ambiente ao redor se materializou absurdamente rápido, assim como foi a volta de seus sentidos. O alívio foi grande, ele ofegou e o pio preocupado de Hórus fez parecer com que ele não tivesse percebido nada do que havia acontecido ali. Porém Ethan estranhou mais ainda isto quando ele percebeu que estavam num ambiente totalmente diferente.
Era uma enorme área circular, sincronizada com a que havia aberto entre as nuvens. Era simples, apenas pedras espalhadas pelo chão, brancas e pretas. A iluminação do ambiente dava a entender que era amanhecer ou anoitecer, mas sem a possibilidade da certeza. Ele olhou para cima e a certeza foi menor ainda quando viu Sol e Lua juntinhos ali no centro do céu. Giravam juntos num circulo perfeito. Demorou a perceber que não estava sozinho por ficar admirando o espetáculo.
Ele olhou para trás e viu um igualmente impactante contraste. No começo pode perceber ali um anjo e um demônio, mas um novo olhar e percebeu que seu julgamento não iria caber ali, posto que pareciam ostentar personalidades idênticas.
Um homem alto, com cabelos louros e curtos que reluziam assim como seus paradoxais intensos e inexpressivos olhos azuis, em longas vestes brancas e asas mais longas ainda alvamente emplumadas, ao lado de uma mulher de vestes pretas e provocantes, cabelos negros longos e olhos castanhos igualmente intensos e inexpressivos e asas longas e draconianas, ambos belíssimos.
Começaram a andar na direção de Ethan se dirigindo a um mesmo ponto. Ethan achou que fossem trombar, mas no momento em que se tocaram pelas pontas das asas desapareceram num fluido reluzente numa textura entre líquido e gás, e ali saiu um novo ser.
Ethan não pode dizer se era homem ou mulher, não conseguiu achar diferenças em gênero nele, não conseguiu distinguir em seu olhar bondade ou maldade, não estivesse de pé, Ethan não conseguiria distinguir nem se estava vivo ou morto.
Mais alto que seus antecessores, tinha cabelos castanhos que variavam do claro para o escuro conforme o astro que passava por cima de si no trajeto do círculo. Tinha olhos cinzentos que pareciam ser mais chamativos que qualquer outra cor que pudesse estar ali.
Inesperadamente este abriu um sorriso e disse na conhecida voz dupla:
- Olá Ethan!
- Olá...
- Já era tempo! Espero-o já faz muitas eras!
- Desde quando exatamente?!
- Desde o início!
Ethan iria reforçar a pergunta, mas percebeu que não compreenderia a resposta, então fez outra:
- Desde o início... Isso quer dizer que você estava lá? Na criação?...
- HAHAHA! Criação!? Não há uma criação! Tudo sempre existiu, infinito no tempo e no espaço.
- Se sempre existiu, então como é que você estava lá no início?
- Acho que já experimentou o gosto dos paradoxos existenciais em seu prévio estado de pura consciência, não?
Ethan lembrou-se do momento em que não pode distinguir a passagem do tempo, quando estava sem sentidos, como se esta passagem dependesse de sua vontade apenas. Tendo isso pode compreender bem, mas compreender sentindo, nada que pudesse traduzir como raciocínio.
- Entendo...
- Muito bom! Enfim, hoje é seu último encontro memorável conosco Ethan, e eu vim aqui para lhe explicar o que acontece agora.
- Ok
- Mas pode fazer essa pergunta que você tem em mente antes de começar – Disse sorrindo.

- Ah... sim. Porque agir sempre escondidos? Porque não se revelar ao mundo e agir diretamente? Porque eu?
- Ok, ok... É uma boa maneira de começar aliás. A coisa acontece assim Ethan, porque a raça humana é parte de algo muito maior. Não só feita por um criador absoluto, mas parte de um sistema absoluto e universal. Seres humanos são apenas uma passagem carnal para consciências em desejo de progresso pela limitação de suas capacidades. No começo estava decidido que seria mais fácil o avanço pelo sofrimento causado pelas desigualdades e limitações, para que vocês pudessem lutar e descobrir mais e mais suas capacidades. Porém agora estão em um nível tão animalístico! Com moral evoluída há uma grande quantidade de seres humanos que tem potencial para evoluir sem precisar sofrer. Mas ainda há aqueles, infeliz maioria, que preferem fazer as coisas pelo caminho mais árduo. É aí que você se encaixa. Você é o líder daqueles que querem mudar o mundo, dando o impulso mínimo que falta pra começar com isso tudo. Entende?
- Entendo. Mas porque não fazem isso diretamente?
- Nossa evolução já passou desse estágio, já o fizemos, em outros mundos, com outras raças, agora estamos aqui apenas para auxiliar. Nos mostrar teria conseqüências severas como disputas religiosas em nosso nome e obsessão por nossa capacidade de poder. Já o fizeram antes, e tal feito direto já é suficiente, agora não precisam mais disso! Estão numa bela época Ethan, época de transição, de regeneração! Verão equilíbrio em tudo! Equilíbrio entre o egocentrismo e a compaixão que trará o bom senso, que trará a justiça. Equilíbrio entre merecimentos, que trará a igualdade. Equilíbrio entre produção e gasto que trará a regeneração ecológica do planeta, e muitos outros equilíbrios! Já passou da hora das pessoas verem que o caminho certo para o progresso é o amor, e não as tentações. E você fará muito nesse processo.

Ethan estava pasmo. Sabia das grandes revoluções ao redor do mundo, mas não tinha idéia do alcance de sua influência e dos ensinamentos dos Elementais. Vislumbrou uma sociedade diferente, num futuro próximo, uma sociedade equilibrada, justa, feliz, boa! Viu que a esperança vencia as más previsões e que a bondade fazia pouco das probabilidades que pareciam ir contra si. O que lhe parecia impossível antes se mostrou ser bem óbvio agora.
- Ah sim! Eu vou tutorá-lo em sua jornada Ethan.
- O que?
- Sim, eu, o Elemental da pura energia vou guiá-lo nos caminhos que vierem a ser tortuosos.
- Mas vai vir até mim em público?
- Não, você virá até mim! – Disse sorrindo.
- Como?
- Basta querer! Mas agora preciso ir, tenho certos afazeres. Poderemos nos encontrar novamente em breve.

- Espera. Só me explica mais uma coisa. Vocês nos ajudam a troco de que?
- HAHAHA! Aaah Ethan! Há sentimentos que valem mais apena do que todas as outras conquistas juntas, só isso já basta. Preciso ir-me. Até logo!
E com um radiante sorriso se desfez em fluido e sumiu, assim como o cenário que trouxe Ethan de volta a ruazinha de antes. Ethan olhou para Hórus, que estava atento, porém tranqüilo, em seu ombro. Então disse rindo:
- Acho que temos algumas histórias para contar, não?
E com o chiado delicado em resposta Ethan continuou sua jornada mais disposto agora do que nunca...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os Elementais - Capítulo 4

Ei leitores! Hoje trago aqui o quarto capítulo da saga "Os Elementais" e espero que, além de uma bela história, possam enxergar mensagens úteis aqui! Boa leitura.~




Paciência


A sombra gigantesca de Hórus passava repetidas vezes sobre Ethan enquanto esse procurava qualquer sinal de vida, sem sucesso, lá do alto. A visão de Ethan registrava apenas o extenso mar de terra que ele caminhava havia horas debaixo do sol escaldante.
Seus pés deviam estar queimados há muito tempo não fosse pelo medalhão que se mostrava cada vez mais útil. Agora ele também fornecia água quando a sede judiava de Ethan, fornecia energia sempre que a fome começava a aparecer, e as feridas de Ethan eram curadas em segundos, isso quando algo conseguia milagrosamente feri-lo.

O medalhão também o guiava agora com muito mais eficácia. Não lhe mostrava mais visões embaçadas e sons indiferentes, mas imagens claras de ambientes e situações das quais estavam por vir e o modo o qual Ethan chegaria a essas situações. Ele também puxava Ethan pela corrente para a direção certa sempre que necessário, mas agora ele havia guiado Ethan pra cá, um enorme e simples deserto.

Ethan era teimosamente puxado para a mesma linha sempre que tentava desviar. Não fazia nada além de caminhar há dias e sua paciência já começava a se esgotar. O ar seco, a paisagem repetitiva e o chão todo rachado já o enjoavam e Ethan começava a se perguntar se aquilo ia levá-lo a algum lugar ou era apenas um teste.

Ele olhou para frente pensando que só o que tinha a fazer agora era esperar, então abaixou a cabeça e suspirou fundo, determinado a agüentar a situação presente o tempo que fosse preciso. Foi aí que ele ouviu Hórus chamá-lo.

O pássaro desceu rápido para o ombro do dono. Ele piava alto, parecia assustado. A última vez que havia se comportado assim tinha sido pela rápida aproximação de uma tempestade violenta, semanas atrás. Ethan olhou rápido desejando não ver as carregadas nuvens de chuva vindo ligeiras, e realmente não as viu... Viu coisa pior. Uma gigantesca e densa nuvem bege avançava velozmente. Era uma tempestade de areia.

Ethan mandou o falcão de volta para os céus e quando olhou a areia já estava na metade da distância anterior. Sem ter o que fazer ele deitou e se encolheu protegendo o rosto. Através das pálpebras ele viu a luz do sol cessar ao mesmo tempo em que sentiu o tranco violento da nuvem em seu corpo. Ele teria sido arremessado se o medalhão não tivesse pulsado antes.

Ethan demorou alguns segundos pra perceber a diferença entre a força da areia e o pulsar do medalhão, e quando o fez abriu os olhos com cautela.

A areia flutuava calma, contrastando com a violência anterior, como um véu de seda que se acalmara após a ventania. Os raios de sol refletiam em suas partículas fazendo com que a areia quase toda reluzisse num espetáculo visual belíssimo.

Ethan percebeu o medalhão no ar a alguns metros de distância. Não perceberá este saindo de seu pescoço, e só reparava agora que seu ultimo pulsar não havia sido instantâneo como de costume, pois parecia fluir uma grande quantidade de energia a partir dele agora.

Aos poucos a areia ia bailando graciosa no ar, se reorganizando mais e mais, até Ethan perceber que estava formando um padrão. Com o decorrer dos minutos ela ia se solidificando lenta no que recordava alguns pilares e um grande telhado arredondado.

Sua constituição parecia mudar aos poucos também. As colunas que se formavam foram se assemelhando aos poucos com rocha sólida e apareciam aqui e ali enormes cristais amarronzados emitindo uma luz suave. O chão se formando sob os pés de Ethan adquiria aos poucos uma cor de tijolo, assim como o teto.

Após certo tempo Ethan finalmente pode ver com clareza o ambiente. Era um coberto octogonal, sem paredes, apenas oito pilares, e sua arquitetura tinha fortes traços orientais.

Hórus entrou pelo lado do local e foi direto para o ombro do dono. Não piava agora, parecia observar calmo, como se esperasse o que estava por vir.

Após o lugar finalizar sua formação, o medalhão voltou ao pescoço dele. A última porção de areia restante pairou até estar alinhada no meio de duas das colunas, e então começou a tomar a forma de uma escultura enquanto uma cortina de areia subiu lentamente em volta do lugar, e quando esta baixou, surpreendeu Ethan por estar, repentinamente, no topo de uma montanha.
Já havia sido transportado em seu encontro com o Elemental do Ar e por isso não tinha se desesperado. Ainda sim era a primeira vez que se encontrava em um lugar tão belo.
A cadeia montanhosa ao redor se estendia para todos os lados. Os inúmeros morros cobertos de floresta densa lembravam a superfície de um mar agitado e as nuvens que se moviam lentas entre os picos davam uma tranqüilidade quase que absoluta ao local.
Ethan olhou ao redor abobado até que seu olhar recaiu sobre a escultura que ele quase tinha esquecido. Ela havia acabado de se formar. Grãos de areia se desprendiam da estatua num lento fluxo que aumentava gradualmente, mas, mesmo assim, sem abandonar a lentidão e com o passar dos minutos a areia foi deixando exposta a verdadeira imagem do Elemental.
Era sem dúvida maior que seus outros três irmãos, não apenas na altura, mas também na musculatura. Sua vestimenta se limitava a uma única calça, que por mais que fosse simples, aparentava ser de um tecido extremamente resistente. Seu cabelo comprido escorregava pelo ombro numa única trança que repousava sobre as pernas cruzadas, e combinava com a modesta barbicha em seu queixo. A face tinha uma expressão indecifrável, como se fosse dotado de uma grande sabedoria e só iria compartilhá-la depois de analisar seu discípulo. Ethan, sendo um, não pode deixar de notar sua extrema semelhança com um exímio mestre marcial.

Ethan o fitou por alguns segundos esperando uma reação ou uma palavra, mas foi por perceber seu comportamento pétreo que ele simplesmente sentou em sua frente na mesma postura e aguardou.
- Aguardava-te Ethan. – Disse ele num tom extremamente calmo. – Há um bom tempo, desde que meu irmão do Ar me contou sobre sua visita.
- Então há mesmo um bom tempo aí, não é?
- Sim, mas não o suficiente para incomodar...
- Que tipo de... tarefas... você exercia enquanto esperava?
- Tarefas tão complexas que posso dizer até que aparentemente nada fazia, apenas esperava.
- Como assim? Quer dizer que fez tudo o que tinha que fazer... sem fazer nada? Parado?
- Fisicamente estático. Mas o corpo material não engloba todas as suas capacidades, apenas uma ínfima minoria delas, já deve ter percebido isso não?
Era verdade. Ethan já percebera a influencia do meio em suas energias. Depois de começar a seguir os Elementais havia começado a perceber o meio ambiente com ferramentas que ultrapassavam em muito os cinco sentidos. Chegava até a sentir o bloco coletivo de emoções das pessoas ao redor e um arrepio subia sua nuca todas as vezes que ele mentalizava algo, algo que acontecia sempre depois de um pequeno intervalo de tempo.

- Ah... sim, já tive experiências o suficiente para perceber isso. São mecanismos para me ajudar em minha missão?
- Nada que os outros seres de sua espécie também não possuam.

- Como assim? Tenho certeza de não ter ouvido sobre tais capacidades na sociedade humana atual!
- Grandes capacidades exigem grandes responsabilidades, mas mais que isso, geram grandes conseqüências quando usadas. Acho que já tem responsabilidade suficiente para achar teus irmãos que compartilham tais conhecimentos, só precisa procurar nos lugares certos.

Ethan ia abrir a boca para contra-argumentar, mas seu pensamento reflexo foi mais rápido. Era verdade que não havia ouvido sobre pessoas com conhecimento sobre tais capacidades, mas a quantidade de sociedades que havia ouvido falar era imensa, desde as mais simples e aparentemente desinteressantes até as mais complexas e secretas.

- E onde devo eu começar a procurar?
- Saberá na hora. Tudo acontece em seu devido tempo. E é este conhecimento que devo lhe transmitir.
- Tempo?
- Paciência! Ethan, venho observando sua sociedade desde seu início e percebo que acima de muitas outras, uma de suas características mais marcantes é a necessidade de ter resultados cada vez mais instantâneos. Seus semelhantes não compreendem o aspecto infinito e abundante do tempo, e tentam desesperadamente achar maneiras para fazê-lo se tornar cada vez mais insignificante sem perceber que este próprio está aí disposto a ser usado útil e fielmente. Não negue o único fluxo que se dispõe a medir as mudanças e consequentemente a vida. Se necessita deste mais rápido basta fechar os olhos e esperar que ele irá fluir com uma velocidade que você duvidaria, é tão relativo quanto qualquer outra lei que rege o universo!
Ethan se perdeu nas palavras do Elemental, tinha involuntariamente pensado em como as horas parecem voar ou se arrastar dependendo da situação, mas só agora tinha parado para tomar conta do controle que ele poderia tranquilamente ter sobre isso, e se surpreendeu em ver como era extremamente simples.
- Pare de negar o fluxo natural da existência e ensine aos seus irmãos como usufruir dele pelo exemplo. E a partir daqui, deixo-o nas mãos de nosso mestre.
- Mestre? Como assim?
- Tudo acontece em seu devido tempo...
E foi dizendo isso que o Elemental se desfez em pura areia, deixando com Ethan talvez o mais útil dos conhecimentos, além da quarta pedra em seu medalhão.

O salão se desfez junto com o Elemental numa nuvem de areia enorme e deixando Ethan novamente no meio do deserto.
Ethan havia calculado que aquele seria o último Elemental, mas estava enganado. Sua mente voou quando repassou o termo “mestre” novamente em seus pensamentos. Sabia que seus encontros estavam chegando ao fim, encontros que alguns meses atrás ele nem sonhava em conhecer. Teria sido tomado pela ansiedade e a preocupação natural da maioria dos seres humanos, mas foi fiel e seguiu seus ensinamentos.

“Tudo acontece em seu devido tempo...”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Coleção de pedras

Olá leitores! Devido a problemas técnicos com a internet fiquei um bom tempo sem postar, mas hoje volto com um belo poema pra vocês! ^^
Boa leitura!





Coleção de pedras


Com algumas pedras, certa vez, iniciei uma coleção
Não de pedras comuns ou indiferentes
Não de rochas ásperas e indecentes
Mas de belos minerais que agradavam a visão

Com duas comecei a juntar os tais objetos
Conseguindo mais uma aqui e ali e em todo lugar
Procurando sempre pelos cristais certos
E de repente eram tantas que não davam nem pra contar!

Consegui pedras vermelhas
Que refratavam a luz como fogo dançante
Imitando a fogueira a emitir centelhas
E nunca tendo um encanto mais fraco que o de antes!

Consegui pedras azuis
Que pareciam pequenos exemplares de imensos oceanos
Que abobavam a todos quando refratavam a luz
E que não perderam o encanto com o passar dos anos!

Porém um dia ganhei algo diferente
Uma pedra simplesmente normal
Sem formas complexas ou um espetáculo luminescente
Sem toda aquela beleza sobrenatural

Era suave nas curvas e simples em seu material
Era uma pedra com cara de ser forjada toscamente
E me desinteressei por ser tão banal
Mas seu formato de lágrima era surpreendente
E me candidatei a adotar a tal

Acontece que por ser simples assim
Por ser tão somente um mineral
Não tinha lugar naquela coleção sem fim
Carregava em meu bolso aquele “cristal”

E ela esteve presente a cada grande momento
Cada felicidade e tristeza
E aquele sentimento por ela, desinteressado e cinzento
De repente tornou-se amor a uma pedra de indescritível beleza

Podia não estar catalogada com a maioria
Aguardando mais uma na coleção
Paralisada e esquecida todo dia
Mas estava além disso, estava guardada em meu coração...

“O amor veio e superou imagens que eu julgava superiores a todas as outras, até então. O amor veio e me fez ver a verdadeira imagem do que deveria ser considerado perfeição. O amor veio e deixou uma lembrança de você sorrindo no meu coração, alimentando essa crescente saudade de quando eu era livre pra te olhar nos olhos e segurar sua mão...”

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Os Elementais - Capítulo 3

Olá leitores!
Já faz um bom tempo que não posto aqui no blog por motivos pessoais, mas hoje decidi deixar um texto para vocês ^^
Deixo aqui o terceiro capítulo da série "Os Elementais", Boa leitura ;]



Perdão


Era uma floresta densa, tão cheia de árvores que parecia difícil respirar, o chão tinha tantas folhas que não era possível ver a cor do solo, a copa das árvores bloqueava a luz do sol deixando uma estranha sensação de anoitecer e era demasiadamente silenciosa.
Ethan descansava encostado em uma enorme pedra. Hórus piava freneticamente em seu joelho tirando sua paciência enquanto ele analisava mais uma vez o medalhão, que desde o último encontro se mostrou ser bem útil.
Ele pulsava quando Ethan tentava fazer algo errado e ardia de um modo estranhamente confortável quando Ethan pensava em desistir, Ele produzia também, algumas visões que lhe indicavam certos caminhos ou decisões a serem tomados para encontrar o próximo Elemental. Mas agora simplesmente parara de “funcionar”.
Os pés de Ethan latejavam. Ele havia caminhado por várias horas floresta adentro na esperança de que Hórus avistasse algo, mas o pássaro mal podia vê-lo debaixo do denso dossel. Então fez-se claro o motivo que fazia Hórus estar tão inquieto.
- Achou algo, não foi? Não me avisou antes porque só me viu quando te chamei, não é?
O falcão piou e abriu as asas alegre por ser compreendido. Ethan sorriu sem mesmo saber o que ele havia achado e disse:
- Mostre-me!
Ele voou e pousou numa grande árvore ali perto, olhou além e chamou pelo dono. Este levantou e foi ligeiro ao seu. O medalhão começou a pulsar...
Um pequeno espaço aberto ali continha um obelisco. Era enorme e desgastado, parecendo velho. Tinha pedras incrustadas em toda sua estrutura, várias esmeraldas, e havia também algo escrito no meio. Ethan leu em voz alta:

“Não são necessárias memórias para um bom coração,
Pois tem de descartar as lembranças para se praticar o perdão...”

Então o ar do ambiente mudou. Os poucos sons do vento balançando as folhas cessaram assim que a voz de Ethan parou de falar. Hórus voou para seu ombro e olhou para o obelisco curioso, e se assustou quando o obelisco deu um estalo estrondoso.
Uma rachadura fina partiu o monumento em dois, soltando um vento tão forte que quase fez Ethan cair, as plantas que o cobriam levitaram graciosamente pousando no chão e o obelisco foi se abrindo onde havia rachado vagarosamente. Como de costume, ali havia um corredor. Era um caminho entre as árvores e não era possível ver o seu fim devido a uma densa névoa que havia lá dentro. As plantas do corredor continham várias pedras saindo de seus troncos e estas reluziam num verde agradável. Ethan percebeu que não eram as únicas.
Ele enfiou a mão na gola e tirou o medalhão que pulsava descontroladamente e puxava para frente com força. O espaço abaixo da pedra do fogo também reluzia como as pedras, porém bem mais forte que elas. Ele deu um puxão, Ethan vacilou e o soltou, e se adiantou assustado para recuperá-lo, mas ele não seguiu adiante, apenas parou.
O medalhão deu um pulso violento e então parou de pulsar, e ficou ali no ar, parecendo vencer a força gravitacional. Ethan estendeu o braço para pegá-lo, mas ele se afastou, Ethan tentou de novo, mas ele se afastou mais uma vez, e ele tentou mais umas vezes para perceber que o medalhão ia guiá-lo ali.
Ele começou a andar e parou, olhou para o ombro, refletiu e disse:
- Não acho que há perigo de te trazer desta vez, mas não saia do meu ombro.
Hórus pareceu se encantar, piou alegre e deu uma bicadinha carinhosa na orelha do dono, e então Ethan prosseguiu.
Quanto mais adentravam no caminho, mais densa ficava a névoa enquanto o medalhão os guiava nas bifurcações. Ethan estranhou não ser um caminho reto e simples desta vez, mas parou de se questionar para prestar atenção no medalhão quando a névoa deixou visível apenas o brilho que ele emitia.
Ethan percebeu que o medalhão não virava mais, indo sempre em frente, percebeu também que os raios de sol, mesmo com a densa névoa, chegavam fraquinhos até ali, não deviam mais estar na floresta. Quando ele se perguntou onde estariam, o medalhão parou.
Ele circulou Ethan e parou em sua frente, então girou devagar fazendo sua corrente enrolar em torno de si e quando ela finalmente se enrolou por completo, ele girou para o lado contrario.
Foi um giro forte, Ethan e Hórus se assustaram, a corrente se desenrolou com tal força que lembrou um chicote, e continuou girando como uma hélice. Um vento continuo saiu dali afastando a névoa ao redor, e a medida que ela saia de perto, parecia se fazer mais rarefeita, e o medalhão continuou o movimento até a névoa passar por completo.
Foram necessários alguns segundos para os olhos de Ethan se adaptarem a intensa luz do sol que se manifestava livre agora, e quando ele os abriu, ele simplesmente desejou não ter aberto.
Estavam numa plataforma de rocha pairando no que lhe parecia não ser nada. Ethan se aproximou da borda e olhou para baixo e ficou confuso, não viu nada, apenas o infinito azul celeste, que se estendia igualmente para cima, ele olhou para o medalhão e ele estava parado ali, apenas reluzindo, e se sentiu, pela primeira vez, estranhamente perdido, sem rumo.
Ele então voltou até o meio da plataforma e esperou, olhou para Hórus e este não estava alarmado, uma vez que não entendia o que se passava. Deixou Hórus voar, mas ele nem se moveu, parecia estranhamente satisfeito com o simples ombro do dono.
O medalhão Então recomeçou a pulsar, como um coração que gradualmente acelerava, e quando a plataforma aos pés de Ethan já estava tremendo de tal modo que ameaçava se romper, o medalhão parou e pulsou apenas uma única e característica vez. Ele chegara...
Um vento forte e continuo passou por Ethan se dirigindo a sua frente, se espiralando em frente à plataforma no que dava a impressão de ser um futuro tornado. E assim o foi.
O furacão imenso se estendia para cima e para baixo uniformemente, sem deixar suas extremidades aparentes, porém não arrastava os dois em sua direção.
- Calma, está tudo bem... – Disse Ethan a Hórus sem conseguir conter a própria preocupação.
E assim como surgiu, ele cessou numa brisa tranquila, revelando enfim o Elemental. Era um homem desta vez. Era alto e trajava uma calça junto a uma camiseta regata, ambas verdes e combinando com seu cabelo curto simples. Tinha o físico de um atleta, aparentava ser muito veloz. Demonstrava alegria e bondade no olhar.
- Ethan! Que agradável encontro! Como vai?
- Eu... Ah... Vou bem, obrigado. E você? – Perguntou por educação.
- Estupendo! E... Ah sim, caprichos! – Disse ele olhando para a plataforma.
Ele fechou o punho com firmeza na altura do rosto e abriu a mão num gesto rápido que cortava o ar a sua frente descrevendo uma diagonal, e a plataforma simplesmente se desfez transformando-se em ar. Ethan gritaria, mas o desespero foi tamanho que ele simplesmente congelou e caiu por alguns centímetros, Hórus saiu ligeiro do ombro do dono também assustado, mas ele não caiu.
Flutuava livremente ali, assim como o pequeno gavião e o Elemental. Era uma estranha e prazerosa sensação de liberdade, e demorou alguns segundos descrevendo círculos no ar, até se lembrar do Elemental ali, que ria da situação. Hórus o fitava curioso.
- Hahaha! É ótimo não? Enfim, vamos aos deveres... – Ele ficou sério.
- Ah... Claro, desculpa. – E voltou ao seu lugar.
- Como já deve ter percebido Ethan, sou o Elemental do Ar, e como minhas irmãs, tenho uma mensagem valiosa para te passar hoje, entretanto, antes disso eu acho que estou livre para saciar um pouco de suas curiosidades.
Ele não esperava esse mérito tão cedo, ficou surpreso.
- Sério?
- Sim.
- Bom... há uma pergunta que eu queria fazer há tempos... Porque eu? – Não hesitou.
- Suspeitei que perguntaria isso. Ethan, nós observamos vocês há muito tempo, mais do que o suficiente para ver seus erros, e nos envergonhamos muito destes. Um desses erros nos chama mais a atenção. Vocês vivem num planeta com várias outras espécies de seres vivos e foram a única que recebeu a dádiva da inteligência para deixar de sobreviver e começar a viver. Ainda sim não agem certo. Vocês são injustos, vivem em função de riquezas materiais e tiram vantagem de outros para isso. Negam a ajuda a quem precisa, tapam os ouvidos para as súplicas. Parecem acreditar que toda essa frieza e individualidade os levarão ao progresso, sem perceber os problemas que já foram criados por essas atitudes! Comportamento tal que nenhum dos outros seres vivos ostenta mutuamente. Mas você se diferencia, imagina o porquê?
- N... Não, nenhuma idéia.
- Você decidiu seguir sua vida independente dos outros. Você viaja o mundo em busca de pequenas relíquias com algum valor e as vende apenas para poder viajar para outro lugar e fazer o mesmo. Viajar para sentir a intensidade dos momentos, conhecer pessoas e as guardá-las no coração, aprender culturas e se tornar mais compreensivo. Se tornou um lutador por opção buscando equilíbrio entre corpo e alma e espalha o respeito adquirido em suas lutas, percebeu que a palavra sempre vence o golpe e é uma pessoa resistente aos impactos da vida. Você simplesmente vive Ethan. O fato de viver assim abriu novos modos de ver a vida em sua mente, e uma pessoa que possui uma mente restrita e teimosa não poderia cumprir sua missão.
- Chego a achar que eu também não darei conta dela...
- Não se esqueça da ultima mensagem que ouviu de nós. E nos perdoe por lhe dar um fardo tão pesado. E é sobre isso a mensagem que irei lhe transmitir.
- Minha responsabilidade?
- Não. Falarei sobre o perdão Ethan...
Ele ficou surpreso, pois achava que o motivo que eles usaram para escolhê-lo, era o que Ethan achava que o fazia insignificante. Sempre se sentiu inútil ao mundo, uma vez que levava uma vida simples e individual, sem muitas relações com outras pessoas.
- Perdão... Parece simples de compreender, mas complicado de realizar...
- Exato. Talvez seja por isso que as pessoas decidiram abandoná-lo ultimamente... Conseguem despertar mais pena que repulsa com essa ignorância toda. As pessoas não perdoam mais, pelo menos não de coração, tornando-se cada dia mais rancorosas. Iludem-se pelo orgulho achando que ficarão melhores descartando de suas vidas aquelas pessoas que cometeram um erro com elas. Perdem amigos e familiares por tratá-los com intolerância, ao invés de dá-los uma segunda chance. A confiança no próximo, assim como um cristal, nunca volta a ser o que era uma vez que é quebrada, deve ser tratada com cautela, mas não deve ser deixada de lado pelas suas fissuras. Essa jóia no coração de quem permite, nunca deixa de ter o mesmo valor sentimental. Tem que dar a nova chance para que se tome o outro caminho, já que o erro já foi cometido. Não se esqueça de que se nós não houvéssemos perdoado os erros de toda uma espécie, vocês não estariam diante de uma chance de se recuperar, entende?
- Sim.
- Espalhe o perdão entre os seus iguais Ethan, deixe de achar que as pessoas agiram errado porque cometeram um deslize, o ponto de vista do outro nunca é igual o seu, não cabe a você julgar qual atitude é certa ou não para os outros sem antes ter cometido o mesmo deslize, e se já cometeu, vai querer ensinar o caminho certo a quem o iniciará agora! Amai o próximo como ama a si mesmo, para ter compaixão e assim ser compreensivo, e quando for compreensivo saberá ver a vida pelos olhos de outro para aprender a perdoar. Seja como o ar, que por mais que possa se enfurecer pelos maus tratos do meio ambiente e se transformar em severas tempestades, sempre se acalma no fim, dando aos seres humanos todo o auxílio que podem tirar deste.
- E assim farei. Mesmo que complicado, meu objetivo será cumprido.
- Ah! Então nos perdoa por isso?
- Não perdôo, pois não tenho o que perdoar – Disse sorrindo.
- Fizemos bem em escolher você Ethan. Me despeço aqui. Boa sorte em sua jornada.
Ele estendeu a mão fechada e a abriu para baixo, deixando cair o medalhão, que agora continha uma pequena pedra verde acompanhando as outras duas. Só agora Ethan perceberá que o medalhão havia sumido previamente.
O Elemental levantou a mão direita e fechou os olhos, uma densa névoa começou a se formar, Hórus correu para seu ombro e quando Ethan não via mais nada seus pés tocaram o chão. O medalhão, que ainda flutuava a distancia em que o Elemental o deixara cair emitiu um pulso que afastou a névoa.
A sua frente um enorme precipício se estendia horizontalmente sem fim aparente, com uma ponte pênsil partindo dali para dentro de um nevoeiro denso. Atrás estava o caminho entre as árvores que Ethan reconheceu ter tomado quando entrou pelo obelisco. Era óbvio seu destino ali. Ele recolheu o medalhão e seguiu em frente.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Honra

Olá leitores! Hoje trago para vocês um texto curto e triste, mas que mesmo assim não deixa de ser belo, espero que gostem ^^


Honra

Ele estava ali repousando ao pé do velho carvalho. A cabeça recostada no tronco doía, pesava... Os olhos cansados fitando longemente o pôr-do-sol. O rosto tristonho salpicado pelo sangue do inimigo e o próprio mesclados com algumas poucas lágrimas reprimidas sem sucesso.
A cruz prensada contra seu peito pela pesada armadura ardia levemente assim como os pequenos cortes em seu braço. A respiração era lenta na mesma velocidade em que o sangue escorria do profundo ferimento em seu peito.
Junto a lâmina de sua espada ele refletia as imagens da batalha, os gritos encorajadores, os fortes golpes trocados incessantemente, a terra avermelhada absorvendo os corpos que ali pereciam a vários dias.
A arma em sua mão direita representando sua agressividade e persistência em frente ao adversário e o escudo em sua mão esquerda era como ele, resistente, impenetrável e corajoso, e ele se manteve assim até o ultimo segundo da batalha.
Já sabia o que o aguardava, mas não temia o fim. Lamentava ter que deixar todos, a esposa e os filhos que ainda o esperavam ansiosamente em casa, e o pai que esperava pacientemente pela volta do filho assim como esperava o fim de seus dias, e ele infelizmente iria deixá-los esperando pela eternidade, por conta daquela frágil flecha que repousava em seu colo.
Mas um sorriso surgiu em seu rosto, um sorriso de satisfação... Treinara intensamente por quinze longos anos, liberara até a última gota de suor nessa batalha, mas ele fora compensado com o prêmio mais gratificante, a vitória!
Um último suspiro profundo, um ultimo olhar ao pôr-do-sol. Uma folha desprendeu-se do carvalho e desceu lentamente como suas pálpebras; e um último gemido quase mudo disse adeus.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Os Elementais - Capitulo 2

Olá leitores, hoje, depois de um tempinho, trago a vocês o segundo capitulo d'Os elementais, espero que gostem ^^ Boa leitura ! ;D






Determinação


Ethan viajava há vários dias e ainda não havia descoberto onde e como chegaria ao próximo Elemental. Procurara nas mais diversas bibliotecas e nada. Analisava periodicamente o medalhão dourado a fundo, mas nada conseguia tirar dali além de admiração por sua beleza.
Ele andava por uma longa estrada em meio a uma área montanhosa, esperando talvez mais um encontro milagroso como o último, mas a cada dia que passava menos determinação tinha em achar o próximo.
Era tudo distante, a idéia de achar outro Elemental era estranha, apesar de sua última ocorrência era difícil acreditar que um elemento encarnado estaria esperando em algum lugar por ele, e já havia tanto tempo desde a água que parecia incomodamente como um sonho longínquo e Ethan já teria desistido da missão não fosse o medalhão para lhe provar que era real.
Seu pequeno falcão o acompanhava em seu ombro, e todas as vezes que Ethan pegava o medalhão para examinar, Hórus o fitava com o mesmo interesse. Em fato, todas as vezes que Ethan tirava o medalhão do pescoço, este parecia chamar atenção geral ao seu redor. Alguns animaizinhos paravam para observá-lo também, uma leve brisa rodeava sua mão e o silêncio era instantâneo. Pessoas também pareciam se hipnotizar pelo medalhão, assim como os animais.
Ele caminhava pensativo e distraído, quando Hórus chamou sua atenção. Ele olhou para o pássaro que olhava fixo a um ponto, ele fez o mesmo. Do topo de uma montanha próxima saia fumaça torrencialmente, Ethan pensou ser algo em fogo, mas tardados alguns segundos ele percebeu ser um vulcão.
Ele percorreu a montanha com os olhos quando seu medalhão começou a esquentar, Ethan se assustou e arrancou o medalhão do pescoço rapidamente. Ele o olhou segurando-o pela corrente e percebeu que o espaço a direita da pedra azul estava brilhando avermelhado, como metal incandescente.
Ele fitou curioso a montanha e o medalhão tremeu, parecia ler sua mente. Ele deu um passo em direção a ela e sentiu um pulso percorrer a corrente até seus dedos. Ele então começou a caminhar decidido em direção a montanha, quando o chão começou a estremecer.
As rochas que envolviam a montanha se arrastaram lentamente até formarem duas fileiras paralelas que pareciam terminar no meio da montanha, a terra se moveu deixando uma faixa clara como uma estrada entre as fileiras de pedra, e lá em cima, onde as fileiras pareciam acabar Ethan pode ver uma caverna se abrir. Não havia mais duvida, ele se dirigiu a entrada.
A caverna, como duvidou, era iniciada por um longo corredor. Assim como a primeira haviam pedras em suas paredes, desta vez vermelhas, que garantiam a iluminação do local. Ele caminhou, ainda segurando o medalhão pela corrente, que agora pulsava como um coração.
Ele andou bem uns quinze minutos antes de chegar ao fim do imenso corredor, então adentrou a sala ficando mais uma vez perplexo com sua beleza.
Não era abobadada como a anterior, era retangular lembrando um grande salão, um corredor também atravessava esta, sobre uma grande quantidade de magma, que estranhamente lembrava uma imensa piscina. A direita do corredor, mais adiante, havia uma plataforma retangular flutuando livremente pelo magma, Seu teto era forrado de estalactites, e cada uma delas, assim como suas paredes, cobertas com as pequenas pedras vermelhas.
Ethan andou, os olhos semicerrados pela luz e calor intensos do magma. Caminhou até o meio do salão e ficou de frente para a plataforma. O medalhão começou a pulsar loucamente e parou, então pulsou uma única vez com tal força que fez o salão estremecer.
A plataforma flutuou até o meio do salão e parou de se mover, uma abertura redonda se abriu no meio dela, e uma estalactite despencou no buraco atingindo o magma.
Ethan protegeu o rosto instintivamente, mas a lava fervente não espirrou. A estalactite parou a milímetros de atingir o líquido fervente, então desceu lentamente até deixar apenas uma pequena parte emersa, como uma plataforma circular. Então chamas subiram circulando a pequena plataforma até formarem algo, assim como antes, parecido com uma grande crisálida.
As chamas hipnotizavam Ethan, eram dotadas de uma beleza deslumbrante. Rodeavam o local lentamente, mas ainda sim muito vivas. Elas aceleraram a rotação e se concentraram em um pequeno globo de aspecto vítreo, como os rubis das paredes, e esse por sua vez, explodiram num mar de labaredas que fez Ethan gritar. Quando as chamas cessaram ela se revelou.
Era novamente uma mulher, o vestido que trajava era vinho intenso, seus lábios num vermelho provocante, suas íris laranja vivo ao mesmo tempo amedrontavam e davam sensação de confiança e seu cabelo era simplesmente fogo, que crepitava devagar, como uma pequena lareira num dia de inverno, e descia levemente até seus ombros.
Ela desceu da plataforma e caminhou pelo magma até estar bem próxima de Ethan. Ele sentia sentiu hálito quente quando ela falou:
- Ah sim, Ethan... Já havia previsto esta sua vinda há muito tempo. – Disse ela sorrindo.
- Desde meu encontro com a Elemental da Água?
- Desde a origem da sua raça Ethan, e me atrevo a dizer, que possa ter sido até antes disso.
Ele refleti sobre seu comentário, e passados alguns segundos ele percebeu que este estava além de sua compreensão. Sua atenção voltou quando ela recomeçou a falar:
- Mas vejo que você me encontrou mais cedo do que eu esperava! Não aguardava seu encontro enquanto sua raça ainda tivesse esperanças.
Ela era severa, Ethan percebeu que não mediria palavras nesta conversa.
- Ethan, sua missão, previamente seria fazer seus iguais recriarem uma pequena sociedade de um nada que restaria das atitudes que vocês se habituaram a tomar.
- Não compreendo?! – Disse ele surpreso.
- Vocês humanos, ávidos por poder, egocêntricos e gananciosos estavam levando a si para a destruição, sua raça destrói tanto a ela própria, quanto ao planeta e as outras que nele habitam. Porém nós percebemos que há ainda, alguns de vocês que se esforçam, que batalham por um destino melhor, pessoas que não necessitam de um agradecimento para fazerem uma boa ação, que valorizam o bem estar do próximo como valorizam o próprio. Crê em mim Ethan, não fossem esses poucos, não daríamos está chance de se recuperar tão cedo. Tua tarefa deixou de ser a ressurreição e se tornou a recuperação apenas. Espero que tenha em mente o fardo que carrega contigo Ethan.
- Entendo... É quase como um sonho velho, um pensamento esquecido, compreendo o sentido das palavras, mas não compreendo a complexidade da minha tarefa...
- E me atrevo a dizer que é por isso que ainda não a abandonou, pois ela não será nada fácil.
- Mas... Porque eu? – Foi uma pergunta que estava sem resposta a tempos, mas ele não tinha esperanças de consegui-la agora.
- Tudo há seu tempo Ethan. Agora vou lhe transmitir a mensagem que devo. Ethan, em frente a um desafio grande como o teu, eu lhe peço, que tenha e repasse aos seus irmãos, que tenha determinação... As pessoas se esqueceram de como devem lutar pelo que querem, não batalham mais pela sociedade como uma só, só se dedicam aos próprios interesses. Quero que mantenha as pessoas unidas, e mostre a elas como alimentar o fogo da determinação, que não recuem perante o inimigo, que enfrentem seus desafios como um único e bravo guerreiro. Lhe peço Ethan que façam a ver a vida como você! Nobre lutador que nunca retrocedeu diante os desafios e o perigo!
Então Ethan sentiu o fogo arder em seu peito, o coração bater destemido e os medos abandonarem sua mente. Percebeu que o mínimo lampejo de esperança, por ser mínimo, não deixava de ser esperança, e valia por ele lutar. Então disse decidido:
- Eu farei, e lutarei sem vacilar! – Sua voz ecoou forte pelo salão.
- Então, como minha irmã, lhe agradeço, e lhe deixo algo aqui...
O medalhão subiu no ar e ficou ali, Ela fechou os olhos e simplesmente assoprou, e de seu sopro saíram faíscas que se juntaram e formaram uma pedra vermelha reluzente fazendo companhia ao lado da azul.
- Adeus Ethan. - Ela sorriu, e numa enorme labareda desapareceu.
Ethan olhou para o outro lado do corredor, percebeu a luz do sol entrando agora, então prosseguiu para seu próximo encontro.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Imortais

Olá leitores! Bom, depois de um período estremamente longo, eu voltei com um texto novinho para vocês o/ ^^
Desculpem a demora e boa leitura ^^




Ele ouvia uma sirene distante, quase não tinha consciência e sua visão estava muito limitada. Sentia dores agudas por todo o corpo, não sentia mais nada além disso. As dores variavam, algumas como ferro em brasa, outras como lâminas perfurando sua pele, mas não o incomodava, já estava até habituado a isso, e era uma questão de tempo até os enfermeiros descobrirem que ajuda médica era completamente inútil para ele.
Pelas pálpebras entreabertas ele via um vulto branco que repetia preocupadamente:
- Tente ficar acordado senhor!”
Outras vozes conversavam ao lado mas sua pequena distância já era suficiente para não serem distinguidas. O balanço do plano onde estava deitado lhe aparentavam estar em um veículo, provavelmente uma ambulância. Ele se incomodou com o liquido espalhado pelo seu colchão, até perceber que era sangue. Seu sangue.

Ele sangrava muito e era o único dentro do veículo que não estava surpreso por ainda estar vivo, os ferimentos iam dos pés a cabeça, de queimaduras, a cortes e hematomas. Cada centímetro do seu corpo parecia ostentar um ferimento. Mas ainda sim ele parecia fazer pouco caso da situação, só queria um lugar para descansar e se recuperar em paz.

A ambulância ia veloz pelas ruas até chegar ao hospital. Ele rapidamente foi retirado do veículo e transportado para a sala de cirurgia numa maca. Os cirurgiões se alarmaram ao ver seu estado, e começaram rapidamente a tratar os machucados.

Já se passavam mais de duas horas no centro cirúrgico quando um doutor disse:
- É minha impressão, ou essas cicatrizes aqui são recentes?
- Quais cicatrizes?... Nossa!
Então os 6 médicos que trabalhavam em conjunto começaram a reparar que haviam várias cicatrizes recentes em seu corpo, e o número de ferimentos diminuíra bastante, mas a surpresa foi ao ver que a maioria dessas cicatrizes ainda continham os pontos aplicados.

- Mas... Impossível! Nós mal demos pontos nesses ferimentos, como já fecharam!?

Então o paciente abriu os olhos. Ele se sentou calmamente e olhou ao redor, se divertiu com o olhar assustado dos médicos. Ele afastou a mão da doutora que o segurava e se levantou da maca, seu sangue não escorria mais, as queimaduras não pareciam tão graves e os cortes tão profundos.
Foi aí que ele relaxou e fechou os olhos. A sala começou a esquentar, sua pele adquiriu um tom vermelho reluzente, e por seus lábios entreabertos começou a sair uma fumaça negra, e a medida em que a fumaça aumentava, seus ferimentos se fechavam mais rápido. Daí ele abriu os olhos, sua pele estava perfeita, ele sorria como se nada houvesse acontecido.

Ele olhou ao redor e perguntou por suas roupas. A doutora pegou seus pertences e caminhou lentamente até ele, ainda desconfiada, então estendeu as mãos e os entregou lentamente, e conseguiu ler uma pequena plaqueta de metal em cima de sua camisa:
“Johnny Phoenix – N° 00037”

Ele se vestiu, dirigiu-se a porta e antes de sair disse:
- Eu os aconselharia a não dizer nada do que aconteceu aqui para ninguém, pois não é a minha vida que correria risco com isso, é a de vocês... E obrigado pelo tratamento.
Então ele saiu sem deixar nada para trás.

sábado, 14 de novembro de 2009

Os Elementais - Capitulo 1

Oeee leitores, já faz bem um tempinho que eu não posto né? Por isso hoje eu decidi iniciar uma nova coleção aqui no blog, o primeiro capitulo d'Os elementais =D
E o proximo post vai ser o quarto capitulo da criatura!! Espero que gostem ^^


Compaixão


A praia era deserta, a areia alvíssima não se movia, não havia vento. A água azul safira cristalina refletia o céu ensolarado e sem nuvens como a superfície de um espelho. Não haviam plantas e o único sinal de vida era um pequeno falcão que planava bobamente perto ao sol. A água se estendia ao horizonte e a areia branca a imitava se estendendo ao outro. Era silencioso e tranqüilo. Um pequeno vulto apareceu ao longe, se aproximando cada vez mais.
Era um homem, ele estranhamente trajava preto, uma camiseta e uma calça simples, tinha ataduras envolvendo os antebraços e as canelas e luvas de couro que deixavam os dedos amostra, porém ia descalço. Tinha várias cicatrizes e uma em seu rosto, um corte profundo na bochecha, despertava curiosidade. Parecia um lutador.
Ele parou de andar por um instante e olhou para cima a procura de algo. Estendeu o braço e então gritou:- HORÚS!O pequeno falcão respondeu ao longe, mudou o rumo de seu vôo e veio pousar no braço do homem.- Achou algo interessante?O falcão piou com entusiasmo. O homem sorriu e disse:- Ótimo, mostre-me!O falcão decolou e começou a voar em direção de uma estranha formação rochosa mais adiante.
O homem começou a segui-lo, andava tranqüilo, sem pressa. Sua expressão era vitoriosa. Parecia muito confiante de que havia achado algo de valor.
Ele caminhou até as rochas e viu Hórus pousar na mais alta delas, então se esgueirou entre as rochas menores para alcançá-la. Quando ele chegou a rocha maior se surpreendeu.
Ele esperava por algum objeto, marca, escrita, alguma coisa que tivesse seu valor expresso em conhecimento, mas não havia nada disso ali. Aberta na pedra havia uma enorme entrada, grande o suficiente para duas pessoas passarem juntas com facilidade. Era uma caverna.
Seu interior era rebaixado, e era cheia d’água dando a estranha impressão de uma piscina. Suas paredes eram cobertas com várias pedrinhas azuis, que pareciam safiras, e, estranhamente, por mais distante que fosse, a caverna fechada continuava iluminada adentro.
O homem pisou dentro dela, sua perna afundou até o joelho na água cristalina e quando seu pé tocou o chão ele teve a sensação de estar pisando em gelo, mas não era, o piso era agradavelmente morno.
Ele caminhou e caminhou por vários minutos percebendo que, quanto mais andava, mais descia o caminho. Então ele chegou a um imenso salão.
Era lindo, era abobadado e continha várias pedras como as do corredor, só que essas reluziam, de tal modo que lembrava um céu estrelado, mesmo o salão sendo muito bem iluminado. A sua frente se estendia uma ponte suspensa que atravessava o salão e terminava em outra porta. No meio dela havia uma fonte circular, cujas águas bailavam em círculos quando jogadas para cima num espetáculo fabuloso. As águas que vinham de ambos os corredores caiam em lindas cascatas, o salão era tão profundo que não se podia, nem ver, nem ouvir as águas atingindo um suposto chão.
O homem se surpreendeu como tal lugar existia ali sem aparentemente ninguém ter percebido sua existência. Ele caminhou até a fonte e observou as águas dançarem a sua frente, porém a fonte parou de funcionar.
Ele olhou assustado ao redor para ver se não havia pisado ou mexido em algo sem querer, mas se assustou quando olhou para a agua da fonte novamente.
Ela estava estática, como uma superfície vítrea, mas algumas gotas bailavam pouco acima da superfície, completamente suspensas no ar. Ele se assustou e deu alguns passos para trás, então a agua começou a se mexer. As águas subiram em espiral até unirem suas pontas um pouco mais acima, e lembraram curiosamente o formato de uma crisálida. E então elas se dispersaram rapidamente, tornando-se vapor. Ele olhou perplexo, havia uma mulher adormecida ali.
A cada olhar que ele lançava a ela, ele se assustava mais. Ela era diferente, era incontestavelmente uma mulher, porém parecia feita de água. Era possível ver através dela e assim como algumas gotas caiam dela para a fonte, outras gotas faziam o processo inversos.
Ela tinha um rosto delicado, não era muito alta, e pouco a pouco sua pele foi tomando cor. A medida que a cor de sua pele se acentuava, finas linhas de água subiram e lhe cobriram dos ombros à canela, se materializando num vestido de seda branco.
Ela já estava formada, era uma mulher normal agora, exceto pelos cabelos azuis, tinha olhos claros e a pele clara como neve, ainda sim tinha uma beleza indescritível. Então ela acordou.
Ela fitou o homem, tinha um olhar sério.
- Olá Ethan! – Disse ela.
- Olá... Como... é... Como sabe o meu nome!? – Ethan estava assustado.
- Humanos não são muito imprevisíveis sabe?
Ela riu alegremente. A beleza de sua voz comparava-se a dela. Ela agora parecia estar relaxada e sorria.
- Quem é você? – Disse Ethan surpreso com o comentário.
- Ah sim, eu... Para ser sincera eu não tenho nome, não tenho outros de minha raça para ser diferenciada por um nome, nem amigos para me chamarem por um. Sou apenas eu, apesar de alguns humanos me chamarem de elemental. Sou a elemental da água, Ethan...
- Você o que?!...
- Hahaha! Não se surpreenda, não há o que temer aqui, sou completamente pacífica.
Ethan se acalmou.
- Você disse que nunca teve ninguém, como ninguém nunca entrou aqui? Como ninguém conhece este lugar se eu achei ele tão facilmente?
- Porque eu deixei você entrar.
- E por que você me deixou entrar?- Ethan, nós, elementais permanecemos adormecidos de tempos em tempos, quando nós acordamos é porque há problemas que devemos resolver, e o problema dessa vez, é a sua raça...
- Como assim?!- Vocês vivem, sedentos pela evolução e pelo sucesso, mas se esquecem de que há muito mais do que lucros materiais e esquecem que o avanço nos conhecimentos leva tempo. Há muito tempo vocês deixaram de viver como deviam, passam somente a sobreviver agarrados na idéia de que a vida é feita individualmente e que quanto mais pessoas vocês ultrapassarem, melhor será...
- Entendo...
- Mas temo dizer que essa sua atitude esta levando tanto sua raça, como seu planeta, a se deteriorarem cada vez mais. Vocês esquecerem de sentir e é para isso que nós acordamos Ethan. Nós vamos lhes devolver suas essências pouco a pouco, e faremos isso através de você...
- Eu!? Por que eu?
- Essa e outras perguntas nós iremos responder ao longo dessa sua nova missão. Agora eu lhe peço Ethan, não se foque somente em si mesmo, lembre-se de que há seis bilhões de pessoas em seu mundo, e se todos vocês agirem com ignorância, só serão frutos de mais e mais sofrimento. Ethan, deixe de ser frio, lembre-se de que há outros, lembre-se de que existe ainda a compaixão! Ethan ainda estava perplexo com tal responsabilidade que queriam lhe dar. Ele olhou para a elemental, mas seus olhos não eram mais bondosos, nem sérios, eram olhos suplicantes. Ethan respirou profundamente e disse:- Eu me lembrarei, e a praticarei...
- Ótimo, sabia que tinha escolhido a pessoa certa – Ela sorriu – Agora eu lhe deixo um pequeno presente, para se lembrar do que houve aqui.
Ela estendeu a mão, e na palma desta um pequeno medalhão dourado surgiu. Ele flutuou até Ethan que o apanhou hesitante. Era simples, tinha aparentemente o espaço para 4 pedras e um deles já estava preenchido com uma pequena safira.
- Eu lhe deixo a responsabilidade de cuidar da “compaixão” Ethan, e também de encontrar e resgatar as outras essências e sentimentos humanos. É aqui que eu me despeço de você, pegue o caminho atrás dessa fonte e você vai achar o próximo elemental...
- Mas como eu vou achá-los!? - Você vai achar, só isso – Ela sorriu novamente – Adeus Ethan...
- Espera! Eu... Mas era tarde, do mesmo modo que ela surgiu, ela voltou a fonte. A fonte por sua vez abriu na frente e atrás, deixando a agua escapar para o posso profundo e abrindo caminho para Ethan.
Não havia mais o que fazer, ele colocou o medalhão no pescoço e seguiu em frente, preocupado com o que viria a seguir...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Esperança

Olá leitores! Venho postar hoje um texto magnífico para você! Heheh
Boa leitura ^^



Ele andava lentamente, a respiração ofegava, o suor o encharcava inteiro e as solas dos pés ardiam latejantes. Lucas caminhara por várias horas naquele complexo de cavernas e a cada gruta que ele atravessava maior ficava o lugar, mais distante parecia a saída e menos se intensificava o brilho da mínima centelha de esperança que ainda restava dentro de si.
O corpo jovem sofria com as passagens estreitas, o sangue escorria dos braços arranhados nas paredes tingindo a camiseta e a mochila, que agora parecia pesar uma tonelada em seus ombros. Pequenas linhas paralelas de metal seguiam os corredores despertando sua curiosidade. Elas aparentavam algum vestígio de civilização. Mas seria essa uma civilização hostil ou amigável?
Após mais alguns minutos Lucas chegou a um saguão. Era enorme. Tinha o formato de uma cúpula e uma grande abertura circular no teto, muito alto para seu descontentamento. Um altar se postava do outro lado do saguão e havia um monte de cinzas ao pé do altar. Haviam também tochas apagadas por todo o lugar, nas paredes, suspensas no teto ou sobe tripés no chão, mas a única luz ali era o luar.
Ele se virou e observou a parede onde as estranhas linhas metálicas se encontravam formando a figura de uma ave, seria algum tipo de adoração? Enquanto ele fitava a imagem curioso, uma fraca luz laranja refletiu no metal e foi se intensificando. Ele se virou e se surpreendeu ao ver uma chama brotando das cinzas.
A chama se intensificou com a força de uma explosão, o saguão anteriormente gelado se aqueceu instantaneamente. As cinzas foram consumidas pelo fogo, que agora queimava de tal modo que o calor era insuportável e sua luz quase cegava o garoto.
Por entre os braços que protegiam o rosto ele viu de relance uma pluma avermelhada cair lentamente aos seus pés, e assim que ela tocou o chão, o fogo cessou. Ele olhou ao redor aturdido, e então voltou sua visão ao altar, ficando perplexo com o que viu.
Ali imóvel estava a ave mais bela que ele já vira. Tinha penas laranjas num tom forte, que ao bater da mais leve brisa, se ressaltavam com um brilho dourado magnífico. A Cauda era comprida e ao longo dela as penas mudavam de laranja para vermelho, até a sua ponta. Seu bico era laranja claro como as patas, e a íris de seus olhos, assim como a crista, pareciam feitos de ouro puro. Ela se destacava facilmente no ambiente rústico, e não se movia, mas ainda sim, esbanjava tanta vida, que era impossível de confundi-la com uma estátua.
A majestosa Fênix olhou vagarosamente para o salão, então pôs se a cantar. Era a uma melodia estonteante, não havia sequer um único som que pudesse comparar a aquele canto, um som relaxante, perfeito.
As tochas foram se acendendo, uma a uma, vagarosamente. Pareciam se acender pelo poder de seu canto. O fogo iluminou o local e refletiu na cauda carmim vítrea da ave, a cena era inigualável.
O pássaro parou de cantar e olhou caridosamente para o garoto. Ele olhou curioso para a ave, que parecia possuir uma aura flamejante, mas não tinha medo dela, percebeu que não era uma ameaça, era um ser dócil. Eles se fitaram por alguns segundos e então ela recomeçou a cantar.
Cantava agora em um tom mais agudo, a melodia mudara completamente, e o que parecia impossível, era mais bela que a primeira canção.
Repentinamente, as finas linhas de metal de um corredor a direita começaram a se iluminar, como ferro em brasa. Ela então parou de cantar e olhou o garoto, ele olhou duvidoso, se perguntando se as linhas incandescentes levariam a saída. A fênix simplesmente assentiu bondosamente com a cabeça, e não havia mais nada de que pudesse duvidar.
Ele se adiantou uns passos a frente e disse meio rouco:- Obrigado... A fênix piou, como quem estava agradecendo. Ele então andou até o corredor, olhou para trás e agradeceu mais uma vez, o pássaro apenas piscou. Ele continuou seguindo pelo corredor, e quando ele havia se distanciado um pouco do salão, olhou para trás novamente em direção ao altar que aparecia pela porta, mas a fênix não estava mais lá. Havia uma pequena chama em seu lugar, e cinzas a sua frente. Ela voltara a descansar e ele ia embora, agora cheio de esperança...

“E na menor das gotas do inacreditável que se encontra a fé que leva ao mais vasto dos oceanos de esperança...”

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O começo de uma eternidade

Oláa Leitores! Hoje eu vou postar mais um texto pra vocês ^^ Boa leitura!


“O fim não é nada além de um novo início...”

Daniel era um homem de poucos amigos, era egocêntrico, mesquinho, arrogante, ignorante e certas vezes chegava a ser cruel. Mas naquela manhã algo soava estranho, o ambiente estava esquisito, de um jeito, prazerosamente estranho.
Ele ainda estava sentado em sua cama, distante, reflexivo quando o canto dos pássaros em seu jardim o chamou de volta a realidade, ele se levantou lentamente, com um olhar vago, como se tentasse compreender algo; e enquanto se levantava se sentiu anormalmente leve.
Ele saiu do quarto e desceu as escadas em direção a cozinha, no meio do caminho ele parou para observar o nascer do sol pela janela da sala, e começou a se questionar, nunca havia feito esse tipo de coisa antes, e então ele seguiu para a cozinha.
Chegando à cozinha, ele automaticamente se dirigiu à geladeira para pegar a caixa de leite, mas o canto dos pássaros o atraiu para o jardim. Ele abriu a porta e ele se sentiu novo, mais vivo do que nunca. Vivo... Essa palavra soou em sua mente como se ela estivesse muito distante de sua realidade. Ele caminhou até o canteiro de rosas, e ficou ali, a admirar as flores, então ele percebeu que os pássaros estavam se aproximando cada vez mais dele, mas dessa vez, ele não sentiu vontade de espantá-los como fazia sempre, pelo contrário, ele sentiu até certo prazer na companhia das criaturinhas. Ele não descobriu porque estava tudo diferente, ele não estava preocupado com seus negócios e assuntos a tratar como de costume, ele havia passado dias com medo de um tumor que havia se desenvolvido em seu cérebro a pouco tempo, contava os dias desesperado até a cirurgia, mas agora ele nem ligava para isso. Ele fitou o relógio da cozinha pela porta entreaberta e se deu conta de que estava atrasado, ao invés de tomar café ele foi direto ao quarto se trocar, queria chegar na hora ao trabalho. Quando Daniel chegou no quarto ele se assustou, havia um homem deitado em sua cama, ele observou nervoso, e após o susto, ele percebeu algo familiar, e foi aí que seu coração realmente disparou. Era ele. Daniel estava vendo a si mesmo ali, em sua cama, dormindo tranquilamente. Mas então tudo se esclareceu instantaneamente em sua mente, como se alguém tivesse ligado o interruptor. Não era ele, era seu corpo. Tudo lhe fez sentido, ele não estava dormindo ali, agora que prestava atenção, o movimento da respiração era inexistente, ele não estava delirando, estava morto.
Ele percebeu que seus pés não tocavam o chão, ele não estava mais preocupado com o tumor cerebral, não estava mais com medo de que ele o matasse, porque ele já havia feito o serviço. Daniel fitou o infinito, agora tudo havia acabado, pensou, e refletiu por alguns momentos.
Não, não era o fim, após refletir por alguns minutos de sabedoria, ele percebeu que não era o fim de tudo, não estava acabado, estava apenas começando, a morte não fora o fim de sua vida, mas sim o começo da segunda etapa da mesma. E enquanto pensava, uma luz branco-azulada brilhou forte pela janela, ela o cegaria se ele estivesse vivo, mas ele não teve que se dar o trabalho nem de proteger os olhos, a luz era algo bom, era seu vínculo com o outro mundo, seu passaporte, e Daniel percebeu que era hora de partir, ele andou através da luz, e se foi.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sarah

Olá leitores /o/
Depois de bastante tempo sem postar eu venho aqui com mais um texto para vocês ^^ Boa leitura!



"E com o tempo ela ia desistindo de tudo, da escola, dos amigos, da família, da rotina, de viver! Agora tudo parecia dar errado e que nunca mais a vida ia voltar a ser boa como era antes..."
Sarah era uma garota muito simpática, era adorada por todos que a conheciam, tinha ótimos amigos, uma família gentil e apoiadora, morava em um ótimo lugar; tinha uma vida muito boa.
Desde pequena ela era uma garota feliz, adorava tudo que tinha, todos em sua vida, e adorava acima de tudo, a si mesma. Mas já fazia algum tempo que Sarah andava estranhando tudo a sua volta, confusa com o que estava acontecendo.
A alguns dias tudo estava ficando mais distante dela, as pessoas não conversavam com ela animadamente como de costume, a família não a escutava com tanta freqüência como antes, não tinha mais boas noticias, pelo menos aparentava estar assim.
Agora Sarah passava cada vez mais tempo refletindo sobre isso, tentando descobrir o que estava fazendo as pessoas agirem assim, e agora ela não tinha mais dúvida, era certeza, de que aos poucos tudo estava se tornando mais e mais distante dela.
E então ela se deu conta, de que a razão de tudo aquilo, poderia ser algo de que ela nunca havia desconfiado, mas era a hipótese que parecia mais adequada, quase óbvia. Ela.
E se as pessoas nunca tivessem gostado dela, só não reclamavam, ou eram legais com ela, para não magoá-la? E se o simples motivo de uma vida que era aparentemente boa fosse a compaixão dos outros, pena dela, em saber que ela era uma pessoa extremamente desagradável, e não se dava conta disso? Ela passou, e repassou isso várias vezes mentalmente, e cada vez que tornava a pensar no assunto, ela se convencia mais um pouco de que sua teoria estava certa.
E passado algum tempo Sarah já estava definhando, ela estava convencida de que todos a odiavam, sentiam repulsa, aversão por ela, e quando ela pensava nisso, lágrimas silenciosas saltavam de seus olhos, e passavam despercebidas, do mesmo modo como Sarah acreditava estar agora.
E em pouco tempo isso foi consumindo a garota, pensamentos cada vez mais obscuros se passavam por sua mente agora, ela não olhava mais para uma faca, uma corda, do topo de um lugar alto, sem pensar que aquilo era um possível candidato para aliviar seu sofrimento.
E foi em uma noite, que tudo mudou.
Sarah estava prestes a dormir, havia acabado de apagar a luz, quando seu dedo escorregou do interruptor e acendeu a luz acidentalmente, e quando foi apagá-la de novo, reparou que havia alguém mais em seu quarto, mas ela não se assustou. Ela se virou e viu, ali parada em sua frente, uma mulher, que ela nunca havia visto, uma mulher muito bonita, com um longo vestido branco, o cabelo castanho ia até os ombros, e agora Sarah dava conta de que não estava sentindo aquele desespero que havia se tornado rotineiro, para sua surpresa, ela estava calma, e o ambiente estava estranhamente agradável.
A mulher sorriu, Sarah retribuiu o sorriso, e perguntou quem ela era, a mulher só respondeu que seu nome era Amélia, e lhe disse que reparou que algo estava errado com Sarah, e queria saber o que era.
Apesar de Sarah nunca ter visto ela antes, não hesitou, e contou tudo que estava sentindo ultimamente, seus pensamentos, e como as pessoas estavam agindo com ela, e Amélia lhe disse que nada disso fazia sentido, todos continuavam a adorá-la, e que tudo estava exatamente igual, mas o que estava errado, eram seus pensamentos que cada vez mais ficavam mais sombrios, e lhe disse, para ter esperança de que tudo voltaria a ser como antes.
Esperança. Essa palavra ecoou na mente de Sarah, como a melodia de uma flauta, que ecoa suavemente em uma ampla caverna, e fez algo dentro de Sarah despertar, como uma faísca que acende uma fogueira, e sem se dar conta, Sarah adormeceu.
Quando acordou no dia seguinte, Sarah demorou alguns segundos para se lembrar do que havia acontecido noite passada. Ela não sabia se aquilo era concreto, ou foi só um sonho, mas agora tudo estava diferente, o dia parecia mais agradável.
E aos poucos a vida de Sarah foi voltando ao normal, boa como era antes, e alguns dias depois, Sarah nem se lembrava do que havia acontecido, e como ela havia se sentido mal por um tempo.
Anos depois, Sarah havia se tornado uma mulher muito bem-sucedida, era uma mulher linda, tinha o emprego perfeito, uma família invejável, e nada para se queixar, e sua vida continuou assim até o fim. “A esperança é a escada que te levará ao topo...”

sábado, 3 de outubro de 2009

Sensações

Oláaaa leitores! Passei um bom tempo sem postar nada aqui e hoje eu volto com outro poema ^^

Encontrei naquele breve amanhecer
A simplicidade do teu olhar
É tão fácil te reconhecer
Nesses simples momentos que me fazem sonhar

Depois veio a alegre manhã ensolarada
Os pássaros cantavam naquele dia
E a cada nota bem colocada
Me lembrava, vinda da sua voz, aquela doce melodia.

Foi aquela breve chuva de verão
Que me trouxe a saudade
Do nosso beijo que despertava toda aquela paixão
Da nossa simples relação que trazia toda aquela felicidade

Foi aquela simples rosa
Que me recordou a suavidade do seu rosto
O seu jeitinho de menina dengosa
Várias lembranças para o meu desgosto

A cada momento você parece estar mais perto de mim
Mas você continua distante
Não devia ser tudo assim
Todo esse sofrimento, essa saudade constante

Ainda espero pelo dia em que eu vou olhar você novamente
Te acolher nos braços meus
Me sentir feliz brevemente
E enfrentar a dor de te dizer adeus...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Fúria (A criatura - Cap. 3)

Oee, faz um bom tempo que eu não posto nada aqui :P
Estou postando a terceira parte da criatura hoje! Um dos melhores textos meus até agora =) Boa leitura ^^


“Ela sentia a adrenalina preenchendo cada cantinho do seu corpo, não conseguia mais disfarçar a sede de sangue levemente estampada em sua face...”
A criatura viajava a tempos sem preocupações, sem receios, sem limites... Viajava a muito sem medo de se perder, pois não tinha rumo. Ela ia tranqüila seguindo trilhas, estradas, pelo contorno das praias; atravessava florestas, desertos, mares, grandes e pequenas cidades, fazendas e vilarejos, mas não se cansava, não ia cabisbaixa, ela ia contente só pela simples vontade de chegar a algum novo lugar.
Não fazia muito tempo que ela havia entrado naquela floresta, mas a floresta já dificultava sua caminhada de tão fechada que era a vegetação. As grandes árvores bloqueavam grande parte da luz do sol tornando-a uma floresta escura, os galhos e folhas secas no chão machucavam suas patas, fazendo-a observar cada passo atentamente, e os galhos das plantas medianas lhe arranhavam de vez em quando.
A criatura estava quase decidida a dar meia volta e seguir por outro caminho, daí ela ergueu a cabeça. A sua frente, numa pequena clareira, um enorme vulto se erguia. A principio a criatura não reconheceu o que era, e demorou a perceber que tinha quatro patas, daí as orelhas se ergueram e uma enorme cauda se moveu vagarosamente de um lado ao outro, os olhos se abriram num azul-piscina intenso, e então bocejou, deixando os enormes caninos amostra.
A criatura olhou curiosamente reparando nos traços canídeos do vulto, e surgiu a dúvida: Seria o vulto um da sua espécie? Não era tão parecido, a criatura tinha pelos avermelhados e uma estrutura óssea leve e aerodinâmica, com intensos olhos laranja, o vulto era corpulento, musculoso; mas ainda sim era difícil achar um canino diferente das espécies costumeiras do planeta terra numa floresta.
Se aquilo realmente fosse uma criatura, será que existiram outras por ai? A criatura estava crente de que era a única de sua espécie, pelo menos até agora. E apesar de tudo o vulto não parecia um animal, ao seu redor a luz parecia se propagar com menos intensidade deixando a claridade mais fraca, ao longo do seu corpo havia uma enorme sombra, como chamas negras dançando graciosamente, e a atmosfera ao redor daquela clareira era diferente, era leve, tranqüila, mas ao mesmo tempo parecia amedrontadora. O vulto se assemelhava mais a um espírito ou algo parecido do que um animal.
O vulto se distraía bobamente com as folhas que caíam, olhando assim parecia até um dócil animal doméstico, e aí uma borboleta passou a sua frente, seu olhar finalmente caiu sobre a criatura. Ele olhou melhor, e virou a cabeça parecendo analisar a criatura curiosamente.
E então se levantou, a criatura fez o mesmo. Ele olhou mais uma vez, deu de costas e saiu correndo, mas a criatura o seguiu. O vulto começou a ganhar velocidade, a criatura também começou a correr; e num piscar de olhos os dois estavam correndo numa velocidade incrível, abusando de cada gota de seus reflexos para desviar das árvores, respirando rápida e ofegantemente quase sem fôlego.
Eles continuaram correndo por um bom tempo e a criatura notou que o volume de árvores ia diminuindo gradativamente. A perseguição continuou até um enorme campo aberto no meio da floresta.
Era realmente muito grande, era gramado e ao invés de árvores, algumas flores cresciam em pontos que pareciam ser todos simétricos. O sol era intenso, mas não era escaldante, era gostoso, reconfortante combinado com brisas frescas que sopravam suavemente. O campo terminava bem à frente numa parede gigantesca de terra que se erguia até as nuvens, não como uma montanha, mas como um penhasco, e pela parede desciam varias cachoeiras que despencavam num pequeno riacho que cercava o campo aberto e se enraizava floresta adentro.
O campo era estonteantemente belo, mas o que se destacava dentre tudo ali era o seu centro. Havia uma enorme edificação. Ela tinha grandes entradas com rodapés dourados, não tinha janelas e estava bem gasta, faltavam vários pedaços na parede e as plantas que cobriam a estrutura revelavam-na bem velha. Tinha traços parecidos com astecas, mas se assemelhava a um pequeno coliseu.
O vulto parou e a criatura também, ele a fitou nos olhos e entrou devagar na estrutura, com a criatura seguindo-o. Eles andaram lentamente por um longo corredor até uma grande sala. Pelo que parecia era o salão principal, tinha o formato de um hexágono e vários desenhos nas paredes, o teto era abobadado com um grande pedaço faltando por onde entrava a luz do sol, que destacava um pequeno altar no meio do salão.
Ele foi até o centro e se postou na frente do altar, olhou para a criatura e a chamou com a cabeça, a criatura se aproximou lentamente e parou a poucos passos dele, ele indicou o altar, a criatura hesitou e foi cautelosa até subir no altar, então olhou ele nos olhos.
Foi muito rápido, quase imperceptível, ele mordeu a criatura em sua pata dianteira esquerda que tentou mordê-lo também, mas ele foi mais rápido e se afastou num salto. A criatura tentou avançar em sua direção, mas suas patas se prenderam ao altar, não havia nada a segurando, mas era como um imã, ela não conseguia sair dali.
O vulto correu até a parede atrás da criatura e esperou ela olhar, mas a criatura não ia olhar, ela tentava se livrar do altar desesperadamente, começava a ficar estressada. O vulto uivou baixinho tentando chamar sua atenção, ela tentava puxar as patas com muito esforço. O vulto começou a latir para a criatura olhar para ele, mas era tarde a criatura estava despertando sua fúria...
Ela olhou para o sol e uivou, um uivo alto, quase ensurdecedor, seus pelos se eriçaram, suas garras ficaram a mostra, os caninos dobraram de tamanho e os músculos cresceram a uma velocidade assustadora até ficarem um pouco maiores do que os do vulto. A criatura já não estava mais magricela e leve, estava enorme e pesada, seus olhos laranja mudaram gradualmente para um vermelho vinho gritante, suas pupilas dilataram o dobro de seu tamanho e suas orelhas ficaram em pé, a calda fofa se enrijeceu e os pelos se alinharam deixando-a fina como um chicote, não fosse pelo tufo na ponta que pendia como uma bola de ferro na ponta de uma clava.
O chão ao redor do altar começou a rachar e as pequenas pedras que se soltavam começaram a flutuar ao seu redor junto às folhas secas do chão. As trepadeiras agarradas na parede começaram a se soltar, forçadas em direção a criatura, o salão escureceu e começou a trovejar lá fora, o som da água caindo anunciou a chuva, mas a luz prateada que entrou pelo espaço aberto no teto revelou a lua, a criatura havia transformado o dia em noite.
Em volta da criatura uma aura vermelha surgiu, como fogo e semelhante a aura negra do vulto, os objetos que flutuavam começaram a bailar alinhados ao redor dela. A chuva que entrava pela abóbada formou uma poça, a criatura olhou e viu sua imagem e finalmente ela olhou para trás, para ver como ela se assemelhava ao vulto agora. Sem dúvida eram da mesma espécie.
Mesmo com todo seu poder ela não conseguia se soltar do altar, parecia uma armadilha feita especificamente para ela, então o vulto deu um uivo altíssimo, a criatura abaixou a cabeça tentando proteger os ouvidos, o sol voltou a brilhar, a chuva e os trovões pararam e as nuvens se dissiparam, as poças no chão se secaram instantaneamente, as rachaduras no chão se fecharam e os objetos que flutuavam no ar voltaram aos seus lugares juntamente com as plantas que voltavam a se instalar nas paredes como antes. A aura vermelha se apagou e a criatura diminuiu devagar, voltando a sua forma original, e só então a criatura voltou sua atenção para ele. Ele indicava a figura na parede e indicou as outras cinco na seqüência, elas narravam uma pequena história, mostravam varias criaturas andando em bando, depois elas enfurecidas, no seguinte elas matavam criaturas inocentes, depois mostravam um humano acalmando as criaturas, humanos e criaturas convivendo em harmonia, e na última parede mostravam um corpo disforme da cintura pra baixo, que daí pra cima se dividia em uma criatura e um humano como um só ser. A criatura notou que os olhos desse ser eram azuis, notou também que no braço esquerdo do humano havia uma marca, ela olhou para o vulto que confirmou, era ele. Ela então olhou para o próprio braço, não havia marcas de dente no lugar da mordida, mas sim uma marca formada por dois hexágonos um menor dentro do outro, como a marca do humano. Ela olhou rapidamente para o vulto, mas ele não estava mais lá. Ela percebeu que não estava mais presa e deu alguns passos a frente, e parou. Nessa ora lhe surgiram várias dúvidas: Quem ou o que ela era? Seria ela um humano também? O vulto era o único igual a ela ou como mostrado na figura haviam mais? E como ela iria descobrir isso? A criatura se levantou, olhou mais uma vez para a marca em seu braço, e decidiu que ia pesquisar as coisas do início. Ela deu meia volta, uivou para o sol e saiu em disparada para o seu lugar de origem...